Geoambiente: Geologia e Engenharia Ambiental

O que é e como funciona a Remediação Ambiental

O que é e como funciona a Remediação Ambiental

o que é remediação ambiental

 

A Remediação Ambiental pode ser definida como a aplicação prática do conhecimento acumulado nas áreas de Geologia, Engenharia e Química com fins de reduzir e se possível eliminar compostos químicos nocivos à saúde humana ou de ecossistemas naturais. Assim, através da “engenharia de remediação” é possível se utilizar de ferramentas, estruturas, equipamentos, sistemas térmicos, produtos químicos ou biológicos para retornar à qualidade ambiental aos ecossistemas naturais.

O desenvolvimento industrial e urbano trouxe consequências, mas as inovações tecnológicas hoje disponíveis também são consideradas como a chave para o retorno do equilíbrio ambiental, não só em remediação de solo e água subterrânea em si, mas a todos os meios naturais.

Neste contexto é que estão inseridos os conceitos de remediação ambiental, projetos que são desenvolvidos para controlar, mitigar e preferencialmente destruir compostos químicos nocivos à saúde humana ou a biota.

As ações envolvem olhares principalmente para três ambientes distintos: solo, água subterrânea e ar. Contudo a olharmos mais profundamente questões de contaminação ambiental percebemos como o tema é complexo. Uma contaminação em solo gera uma degradação da qualidade da água subterrânea que pode vir a aflorar em uma nascente ou rio, ampliando assim o impacto ao meio natural. A mesma contaminação em solo pode promover a emissão de vapores tóxicos a nossa saúde, onde as substâncias carcinogênicas são o grande risco considerado em remediações ambientais. Assim as atuações podem ser planejadas para uma atuação focada e isolada ou mesmo combinadas as três esferas, contudo, o mais importante é entender profundamente o modelo conceitual tridimensional de uma contaminação e sobre ela desenvolver estratégias específicas para contê-la ou destruí-la.

O que é considerada uma contaminação

Antes de falar sobre a remediação em si, é importante saber o que é considerada uma área contaminada. O Ministério do Meio Ambiente considera uma área contaminada (terreno, local, instalação, edificação) que contenha substâncias ou resíduos em condições que “causem ou possam causar danos à saúde humana, ao meio ambiente ou a outro bem a proteger, que nela tenham sido depositados, acumulados, armazenados, enterrados ou infiltrados de forma planejada, acidental ou até mesmo natural.”

Primeiros passos

Diagnóstico Preliminar

O processo se inicia com a avaliação preliminar – nesta etapa é investigado casos suspeitos de contaminação no local de estudo – são realizadas visitas na área, preenchimento de questionários com antigos funcionários, levantamento de documentos e histórico de atividades. Caso se suspeite de contaminação, se avança para a etapa de Investigação confirmatória. Existem normas e legislações específicas para esta tipo de investigação que devem ser seguidas a risca para obtenção de dados suficientes para se determinar se existe ou não a possibilidade de contaminação geradora de passivo ambiental na área. Em essência a investigação preliminar têm como diretriz a identificação de atividades pretéritas que possam ter causado impacto ambiental relacionado a contaminação dos meios solo e água subterrânea pela exposição a compostos químicos tóxicos ou nocivos.

Diagnóstico Confirmatório

Essa etapa irá aprofundar os estudos e pesquisas da área. O objetivo é identificar, confirmar e mensurar de forma qualitativa e quantitativa a contaminação do local. Esses resultados irão direcionar ações futuras de remediação ambiental da empresa. A investigação ambiental confirmatória também deve seguir critérios, normas e legislações específicas de estados, municípios ou de âmbito federal para confirmação ou não de existência de passivo ambiental no local. Caso se confirme a contaminação, se avança para a etapa de Investigação detalhada com avaliação de risco a saúde humana.

Diagnóstico detalhado e avaliação de risco a saúde humana

Depois de uma direção mais precisa da contaminação se inicia o detalhamento do projeto. Neste momento se delimita tridimensionalmente a pluma de contaminação e a difusão da mesma nos meios solo e água subterrânea. Ainda se determinam as maiores concentrações de contaminantes no lençol freático e é possível calcular, através de planilhas e softwares de modelagem de risco, qual é o incremento da probabilidade de determinado composto químico ampliar a probabilidade do desenvolvimento de câncer em humanos, neste caso são utilizados desde planilhas de risco (CETESB) até softwares específicos que simulam a exposição de humanos a inalação de vapores, ingestão de água ou mesmo contato dérmico com solo e água subterrânea. Assim, são calculadas as metas para atenuação dos compostos ou a chamada “remediação da área”.

Diagnóstico de alta resolução e modelagem 3D

Com fins a remediação propriamente dita são utilizadas ferramentas de investigação em alta resolução em três dimensões (plano e verticalmente) para se determinar com precisão regiões no subsolo e aquífero com acúmulo de produto retido (fase livre), gradientes com maiores ou menores concentrações de compostos químicos de interesse e os locais de menor ou maior permeabilidade do solo e aquífero. Assim com estes dados em mãos são criados os modelos conceituais tridimensionais das áreas contaminadas e a partir delas, é possível “visualizar o problema” e assim traçar as estratégias de engenharia efetivas para atuação sobre os contaminantes, aplicando desde técnicas simples como o bombeamento, até técnicas avançadas como dessorção, adsorção ou destruição química para compostos menos tóxicos.

Legislação e Referências Aplicáveis

Entre os padrões, normas e legislações nacionais podemos citar as seguintes: 

CONAMA 420/2009 que dispõe sobre critérios e valores orientadores de qualidade do solo quanto à presença de dsubstâncias químicas e estabelece diretrizes para o gerenciamento ambiental de áreas contaminadas por essas substâncias em decorrência de atividades antrópicas; Decisão de Diretoria, DD Nº 38/2017/C, DE 7-2-2017 que dispõe sobre a aprovação do “Procedimento para a Proteção da Qualidade do Solo e das Águas Subterrâneas”, da revisão do “Procedimento para o Gerenciamento de Áreas Contaminadas” e estabelece “Diretrizes para Gerenciamento de Áreas Contaminadas no Âmbito do Licenciamento Ambiental”; NBR 15.515-3 – Passivo Ambiental em Solo e Água Subterrânea – Parte 2: Investigação detalhada, NBR 16.209 – Avaliação de risco a saúde humana para fins de gerenciamento de áreas contaminas e entre outras normas nacionais e internacionais; a 15.515-2 – Passivo Ambiental em Solo e Água Subterrânea – Parte 2: Investigação confirmatória e entre outras nacionais e internacionais; a NBR 15.515-1 – Passivo Ambiental em Solo e Água Subterrânea – Parte 1: Avaliação preliminar e entre outras normas nacionais e internacionais; IN 74 - Instrução Normativa do estado de Santa Catarina para a Recuperação de Áreas Contaminadas; Resolução IAT SEDEST 03/2020 que dispõe sobre o Licenciamento Ambiental, estabelece condições e critérios para Posto Revendedor, Posto de Abastecimento, Instalação de Sistema Retalhista de Combustível - TRR, Posto Flutuante, Base de Distribuição de Combustíveis e dá outras providências; entre diversas outras nacionais e internacionais.

Tecnologias de investigação em alta resolução e de remediação

As investigações de alta resolução são realizadas hoje através de diversas tecnologias, entre elas podemos citar MIP, OIP, UVOST, HPT e Laboratório Cromatográfico Móvel de Campo. Todas elas permitem uma compreensão tridimensional da distribuição de contaminantes em solo e lençol freático, regiões de retenção, centros de massa e dados geológicos e hidrogeológicos mais precisos. Assim, através destas informações é possível quantificar a contaminação, bem como ter subsídios suficientes para a correta tomada de decisão sobre as formas possíveis de remediação com aplicação de técnicas de contenção, dessorção, adsorção, oxidação redução entre outras formas de redução de massa dos compostos químicos de interesse ambiental.

Traremos deste conteúdo específico sobre essas tecnologias e outros temas relacionados em outros artigos no futuro.

Contaminação diagnosticada, e agora?

Uma vez constatada a contaminação, os diagnósticos em alta resolução irão determinar o melhor caminho para a remediação ambiental do local.

Existem duas técnicas mais difundidas para aplicação: In-situ e Ex-situ. Vamos resumir as diferenças e aplicações de cada uma delas. Elas podem ser usadas separadamente ou em conjunto, dependendo do projeto. Nessas aplicações são utilizadas diferentes abordagens de tratamento biológico, térmico, químico e físico-químico.

In situ

Essa técnica utiliza recursos e técnicas no próprio local da contaminação e não remove material. São utilizados Sistemas de bombeamento; Sistemas de Extração de vapores; Sistemas de Extração Multifásica; Processos Oxidativos; Processos Redutores; Barreiras Reativas; Barreiras Hidráulicas; Barreiras filtrantes permeáveis; Sistemas térmicos e Biorremediação. Tais técnicas tende quando aplicadas in-situ tendem a ser de menor custo que as ex-situ e evita contaminação secundária, uma vez que não há transporte de material contaminado. Uma das maiores vantagens da remediação in situ é que pode ser realizada em áreas que existem construções em sua superfície, não causando qualquer problema à estrutura previamente existente.

Ex situ

A técnica é utilizada quando há necessidade de remoção do material contaminado. Os projetos incluem escavação, remoção e tratamento com destinação final adequada -  Aterro; Coprocessamento (utilização de fornos de cimento com o aproveitamento da energia contida nos resíduos); Dessorção térmica (trata os solos contaminados com hidrocarbonetos não recicláveis usando energia térmica para separar fisicamente compostos voláteis do solo); Biopilhas (utilizadas para reduzir concentrações de hidrocarbonetos de petróleo presentes no solo através da biodegradação). Outra questão que envolve a ex situ é o risco de contaminação secundária no transporte dos resíduos bem como na disposição em aterros ou no controle de emissões durante a queima deles, por isso é preciso um planejamento detalhado e cuidado redobrado.

Conclusão

A remediação ambiental requer muito planejamento sobre sólidos modelos conceituais, aplicação de combinações técnicas assertivas (por exemplo uso de surfactantes em conjunto com sistemas de bombeamento), tecnologias que tragam efetividade real na remoção de massa e inovação tecnológica para redução de prazos e aumento de eficácia em relação a métodos convencionais. Não há uma receita certa, cada caso precisa ser estudado e detalhado com precisão. Se seguidas todas as etapas, sem negligência e com segurança, há como devolver a vida da natureza e da própria empresa, que segue evoluindo de forma consciente e sustentável.

A GEOAMBIENTE® S/A tem 18 anos de experiência com profissionais capacitados para resolver casos complexos de contaminação ambiental. Já remediamos centenas de áreas contaminadas e isto nos trouxe grande experiência com aprendizados baseados em praticamente 100% de assertividade no encerramento de casos. Contudo, como nossa empresa é composta por humanos, nos raros casos que não conseguimos encerrar o caso dentro do plano inicial, conquistamos a partir deste novo desafio um aprendizado ainda mais profundo e avançado sobre os motivos do não sucesso dentro do prazo estipulado, nos deixando ainda mais preparados para um índice ainda maior de sucesso em remediação ambiental. Estamos aqui prontos a ajudar nosso cliente a resolver casos emblemáticos de remediação, dispomos das mais avançadas tecnologias de investigação e remediação, se você tem um desafio ambiental em sua empresa, venha conversar conosco.